ENTRE, VENHA NAVEGAR

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terça-feira, 20 de julho de 2010

Cuidar, posso eu

“As coisas melhoraram?”
Perguntou um moço... na mensagem que veio de um futuro antes buscado.

“Estais na UTI?”
Assim, com essa pergunta,
também fui interpelada, mas por outro moço,
porque confundiu-me com uma enfermeira quando saí para lanchar, ver estrelas e luas.

Não moço, quase respondo eu, em uma ladainha decisória:

Estou cuidando da minha mãe,
que teve um derrame e não pode engolir nem falar
e respira muito mal.

(E foi nisso pensando que passei pela cena do menino Jesus ainda no berço.)

Creia-me...
A primeira irmã... a mais velha, não pode: perdeu o marido há quatro meses
e ainda não entendeu essa e outras passagens.
A segunda... não pode: cuida do marido que,
- quase vegetativo e sempre dependente –
necessita de sua vida.
A terceira... não pode: está no céu a fabricar anjos de feltro e reciclar a própria natureza.
A quarta não pode porque
- desde que dizem que endoideceu, e foi salva do hospício ao ser provada sua sanidade por um trabalho de tricô -
cuidou incansavelmente dessa mulher que gerou 10 filhos, e que de lá a tirou.
A sexta não pode mesmo, a menor de todas nós: porque mora longe
e precisa do trabalho árduo para o conforto...

Posso eu, a quinta dessa fileira de mulheres,
uma vez que trago muitas palavras e das dores apenas a lembrança da frase de um homem:
“Quem vai lavar minha roupa?”
Como se eu o poder da lixívia tivesse.

Assim... posso eu cuidá-la: eu que fui liberada dos sofrimentos desse mundo,
e penso que sei
do que sentem as ondas,
do que repousa e é tecido nas nuvens,
do que umidifica a chuva,
do que empurra o vento e
do que aquecem e queimam as fogueiras.

Posso eu, creia-me:
Eu que sempre espero o que vem
para acatar em mãos de moldar momentos...

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