Distante de imagens longínquas, já esmaecidas, e depois da tempestade,
emerge o convite que entrelaça como algas no leme.
"Vem, eu quero o teu discurso lírico..."
Curvo-me,
E diante de mim irrompe um rosto másculo; eu o fisgo.
Olhos doces, mas inquiridores
- em uma íris contida -
me perscrutam.
E eu pergunto-me do porte ereto,
do gesto possessivo,
dos cabelos revoltos
e de seu corpo de homem.
Como não jogar-se pela sede de amor?
Por que lábios ávidos umedeceram-se,
é, agora, instintiva a minha espera
que deseja cercá-lo, como se presa fosse,
e recompor a face
no gesto calculado de um singular aparo dos fios de barba.
Registrar as pulsões estéticas e concretizar em memória sensível o Belo, o Bom, o Bem, o Feio, o Ruim e o Mal é confirmar que "Viver é perigoso".... Escrever? Ler? A possibilidade de lançar-se em sutil vertente estabiliza o aparente intangível. É preciso entregar-se, como Narciso, mas remexer a água, tatear palavras, olhar seus significados e deslizá-las pelos dedos e boca, sorvendo-as, pois essenciais. Moldado o texto, recria-se o mundo; é tecida a aderência no real.
ENTRE, VENHA NAVEGAR
ENTRE, VENHA NAVEGAR
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