ENTRE, VENHA NAVEGAR

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terça-feira, 20 de julho de 2010

Poseidon

Distante de imagens longínquas, já esmaecidas, e depois da tempestade,
emerge o convite que entrelaça como algas no leme.

"Vem, eu quero o teu discurso lírico..."

Curvo-me,
E diante de mim irrompe um rosto másculo; eu o fisgo.
Olhos doces, mas inquiridores
- em uma íris contida -
me perscrutam.
E eu pergunto-me do porte ereto,
do gesto possessivo,
dos cabelos revoltos
e de seu corpo de homem.
Como não jogar-se pela sede de amor?

Por que lábios ávidos umedeceram-se,
é, agora, instintiva a minha espera
que deseja cercá-lo, como se presa fosse,
e recompor a face
no gesto calculado de um singular aparo dos fios de barba.

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