Umidificação = ação de molhar a terra, moldar o barro, para colher-se o fruto...
Chuva. Finalmente o barulho dos primeiros pingos uníssonos, dos muitos que teremos após um período de seca prolongada; foi este barulho, que inicia suave, que me inspirou a primeira palavra de um texto a leitores que lêem um jornal que trilha, acompanhando-os, no caminho de ida, e no da volta para casa, em uma cidade de gente com brasilidade – Brasília.
Momento este que é um marco, entre a seca e a chuva, entre o antes e o depois, entre o que já se viveu e o que se viverá – entre uma certa escassez e uma certa abundância. Um momento simbólico entre a caminhada e a bem-aventurança, outrora avisado pela “chuva do caju”. Ora, amanhã outras folhas já estarão verdes, de um verde quase-bandeira, não é? E estes trovões esparsos, como tambores, a retorcerem os céus - como quem torce grande e pesada bandeira, tanto que acaba batendo no planalto -, anunciam que a chuva chegou para ficar em mais uma estação que é dela, e sua, e nossa. Isto é óbvio, é mais uma “estação de chuvas”. Sinta: o ar ficou macio, como o toque úmido do caju nos lábios.
No metrô tudo é esperado: a fruta, a chuva, você e gente, as chácaras, mais gente, outra estação, mais gente, as entre-quadras, as quadras, outra estação, mais gente, mais gente, não cabe mais ninguém sentado, meus Deus, que aperto, muitos ficam em pé, há olhares, encontros, uns descem, outros sobem - não são desencontros, ainda bem. E tem trabalho que espera.... Ou sou eu, e você, quem leva junto o próprio trabalhar e o dispõe?
Ora, neste trajeto, você pode perguntar-se, como eu:
- Sou eu quem espera chegar a todos: metrô, chácaras, estações, gente, quadras, postes, eles, aquele, elas, aquelas, de novo, a mesma pasta, a mesma sombrinha, a mesma mesa, o mesmo trabalho.... Ou são eles, todos, que esperam por mim?
Poderíamos, inclusive, ousar:
- Desde quando esta cidade me espera? Desde o sonho?
Incluindo a essa pergunta podemos, em um jogo dialético, lançar a indagação de um inquisidor contrário:
- O que esperamos desta cidade?
Mas afinal, quem chegou, e quem chega, pergunta algo? Ou não há tempo, nem indagações, tal a ansiedade, a expectativa, a necessidade, a passagem, o sonho, o trabalho, pois vem - e veio - para fazer. E assim, tudo numa seqüência rápida, como o deslizar nos trilhos, fazemos!
“Candango é aquele que construiu Brasília”, dizem na fala do dia a dia os que informam, já orgulhosos da recente história, reverenciando os primeiros: os pioneiros.
- Contudo, Brasília está pronta?
Eu vim, talvez também você tenha vindo - muitos vieram bem antes, quando tudo começou, e muitos ainda virão –, construir a si e à cidade. Queremos ser também “candangos”, nem que seja um pouco, com licença.
Registrar as pulsões estéticas e concretizar em memória sensível o Belo, o Bom, o Bem, o Feio, o Ruim e o Mal é confirmar que "Viver é perigoso".... Escrever? Ler? A possibilidade de lançar-se em sutil vertente estabiliza o aparente intangível. É preciso entregar-se, como Narciso, mas remexer a água, tatear palavras, olhar seus significados e deslizá-las pelos dedos e boca, sorvendo-as, pois essenciais. Moldado o texto, recria-se o mundo; é tecida a aderência no real.
ENTRE, VENHA NAVEGAR
ENTRE, VENHA NAVEGAR
Parabéns pele seu blog. Está belíssimo e cheio textos fantásticos. Quero escrever algo, me aguarde.
ResponderExcluirForte abraço.
Virginia Viana.
Opa! Escrevi uma palavra errada no meu coméntário. Inadimissível!
ResponderExcluirLeia-se: parabéns pelo seu blog.
Virgínia, que bom saber que esteves por aqui.
ResponderExcluirQue bom compartilhar essas imagens feitas de palavras.
Oi Valdiria obrigado por tu comentario en mi Blog
ResponderExcluirQue pena vc ter parado com o blog!
ResponderExcluir