ENTRE, VENHA NAVEGAR

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terça-feira, 20 de julho de 2010

Estação das Chuvas

Umidificação = ação de molhar a terra, moldar o barro, para colher-se o fruto...

Chuva. Finalmente o barulho dos primeiros pingos uníssonos, dos muitos que teremos após um período de seca prolongada; foi este barulho, que inicia suave, que me inspirou a primeira palavra de um texto a leitores que lêem um jornal que trilha, acompanhando-os, no caminho de ida, e no da volta para casa, em uma cidade de gente com brasilidade – Brasília.

Momento este que é um marco, entre a seca e a chuva, entre o antes e o depois, entre o que já se viveu e o que se viverá – entre uma certa escassez e uma certa abundância. Um momento simbólico entre a caminhada e a bem-aventurança, outrora avisado pela “chuva do caju”. Ora, amanhã outras folhas já estarão verdes, de um verde quase-bandeira, não é? E estes trovões esparsos, como tambores, a retorcerem os céus - como quem torce grande e pesada bandeira, tanto que acaba batendo no planalto -, anunciam que a chuva chegou para ficar em mais uma estação que é dela, e sua, e nossa. Isto é óbvio, é mais uma “estação de chuvas”. Sinta: o ar ficou macio, como o toque úmido do caju nos lábios.

No metrô tudo é esperado: a fruta, a chuva, você e gente, as chácaras, mais gente, outra estação, mais gente, as entre-quadras, as quadras, outra estação, mais gente, mais gente, não cabe mais ninguém sentado, meus Deus, que aperto, muitos ficam em pé, há olhares, encontros, uns descem, outros sobem - não são desencontros, ainda bem. E tem trabalho que espera.... Ou sou eu, e você, quem leva junto o próprio trabalhar e o dispõe?

Ora, neste trajeto, você pode perguntar-se, como eu:
- Sou eu quem espera chegar a todos: metrô, chácaras, estações, gente, quadras, postes, eles, aquele, elas, aquelas, de novo, a mesma pasta, a mesma sombrinha, a mesma mesa, o mesmo trabalho.... Ou são eles, todos, que esperam por mim?

Poderíamos, inclusive, ousar:
- Desde quando esta cidade me espera? Desde o sonho?
Incluindo a essa pergunta podemos, em um jogo dialético, lançar a indagação de um inquisidor contrário:
- O que esperamos desta cidade?

Mas afinal, quem chegou, e quem chega, pergunta algo? Ou não há tempo, nem indagações, tal a ansiedade, a expectativa, a necessidade, a passagem, o sonho, o trabalho, pois vem - e veio - para fazer. E assim, tudo numa seqüência rápida, como o deslizar nos trilhos, fazemos!

“Candango é aquele que construiu Brasília”, dizem na fala do dia a dia os que informam, já orgulhosos da recente história, reverenciando os primeiros: os pioneiros.

- Contudo, Brasília está pronta?

Eu vim, talvez também você tenha vindo - muitos vieram bem antes, quando tudo começou, e muitos ainda virão –, construir a si e à cidade. Queremos ser também “candangos”, nem que seja um pouco, com licença.

5 comentários:

  1. Parabéns pele seu blog. Está belíssimo e cheio textos fantásticos. Quero escrever algo, me aguarde.

    Forte abraço.

    Virginia Viana.

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  2. Opa! Escrevi uma palavra errada no meu coméntário. Inadimissível!

    Leia-se: parabéns pelo seu blog.

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  3. Virgínia, que bom saber que esteves por aqui.

    Que bom compartilhar essas imagens feitas de palavras.

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  4. Oi Valdiria obrigado por tu comentario en mi Blog

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  5. Que pena vc ter parado com o blog!

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